História oficial do jogo de damas no Brasil


Durante a época dos descobrimentos, o jogo de damas era muito popular em Portugal e na Espanha.

Com a transferência da Corte Real, em 1806, para o Brasil, D. João VI trouxe o primeiro livro de jogo de damas para nosso país.

Trata-se do livro de Juan Canalejas, “Libro del Juego de las damas”, publicado em Barcelona,  Espanha em 1650.

Este livro encontra-se na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Devido à influência da Corte Real, que se instalou no Rio de Janeiro, foi aí que o jogo de damas começou a se desenvolver em nosso país.

São Luís, capital do Estado do Maranhão, até hoje, é o único local no país onde se cultiva exclusivamente a damas internacional, tabuleiro de 100 casas.

Isso se deve à influência das invasões francesas e holandesas naquela região.

A França e a Holanda são países que até os dias de hoje, praticam exclusivamente o jogo de damas no tabuleiro de 100 casas.

É de São Luís o Mestre Internacional José Maria Silva Filho, campeão brasileiro 9 vezes.

Não existe informações seguras de que o Rio de Janeiro organizou torneios antes de 1930.

Existe uma publicação de um jornal de Belém, capital do Estado do Pará, noticiando um torneio ali realizado em 1929.

Os primeiros torneios apresentando uma organização séria aconteceram a partir de 1935, no Rio de Janeiro.

Nessa época surgiu Geraldino Izidoro da Silva, que publicou os 2 primeiros livros de jogo de damas no Brasil, ambos em damas internacional, tabuleiro de 100 casas.

Nessa época, no Rio de Janeiro, os torneios eram organizados em tabuleiros de 64 e 100 casas.

O dia 9 de maio é consagrado como o “DIA DO DAMISTA BRASILEIRO”, em homenagem à data de aniversário de Geraldino Izidoro da Silva.

Essa data foi homologada pela Assembléia Geral da Confederação Brasileira de Damas em 1975 e é estabelecida no Estado de São Paulo pela Lei 13.320, de 13 de janeiro de 2009.

Essa homenagem foi prestada ao aniversário de Geraldino Izidoro por diversas razões:

Publicou os 2 primeiros livros no Brasil.

Iniciou a publicação de colunas de jogo de damas no Brasil, com publicações a partir de 1950, nas revistas A Cigarra” e “ O Guri”.

Foi o responsável, ao lado de Waldemar Bakumenko, pela unificação no Brasil das regras do jogo de 64 casas, fazendo-o ficar com as mesmas regras do tabuleiro de 100 casas.

Nas publicações de “O Guri” e de “A Cigarra”, Geraldino Izidoro iniciou a propagação do ensino do jogo de damas, começando a divulgar as primeiras técnicas do jogo de damas no país.

Também iniciou os primeiros concursos de solução de problemas.

Com essas publicações, Geraldino Izidoro expandiu o jogo de damas para todo o território nacional e estimulou a aparição de inúmeros torneios, a organização de clubes damísticos e incentivou que outros damistas iniciassem publicações nos mais variados jornais.

Em 1954, Geraldino Izidoro ganhou um excelente aliado: chegou ao Brasil o ucraniano Waldemar Bakumenko, campeão em 1927 da ex-União Soviética.

Waldemar Bakumenko iniciou em 21 de julho de 1954, sua coluna semanal “DAMAS”, nos jornais “A Gazeta” e "A Gazeta Esportiva", que na época estavam entre os mais importantes jornais da capital paulista,  avançando o trabalho que Geraldino Izidoro havia iniciado no final da década de 30.

Foto retirada do livro Ciência e

Técnica do Jogo de Damas de Geraldino Izidoro e J. Cardoso.


E, em 23 de março de 1958, Waldemar Bakumenko iniciou a que foi a mais famosa coluna damística do país: “COLUNA DO DAMISTA”, que foi publicada ininterruptamente todos os sábados, durante 11 anos, até seu falecimento em maio de 1969, no mais famoso jornal de esportes que o Brasil já teve: “A Gazeta Esportiva”.

Em 1963, foi fundada a Federação Paulista de Jogo de Damas e foi organizado o primeiro Campeonato Paulista, com Waldemar Bakumenko sagrando-se campeão.

Bakumenko, profundo conhecedor do jogo de damas, iniciou a divulgação de técnicas mais avançadas e propagou os nomes das aberturas e dos temas combinativos.

A partir de todo esse movimento que se alastrava pelo país, surgiram ainda a Federação Mineira de Jogo de Damas, a Federação Carioca de Jogo de Damas, a Federação Gaúcha de Jogo de Damas e a Federação Espíritosantense de Jogo de Damas.

Essas 5 federações estaduais foram as responsáveis pela fundação da Confederação Brasileira de Jogo de Damas em 23 de abril de 1967, no estádio Caio Martins, em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro.

Com Bakumenko em São Paulo e G. Izidoro no Rio, o jogo de damas tomou um impulso fabuloso. Bakumenko, alicerçado em sólidos conhecimentos técnicos, incentivou a prática do jogo, principalmente pela publicação semanal de uma coluna damística no jornal "A Gazeta Esportiva". Manteve também outras colunas e incentivou a criação de outras (L. Engels, famoso jogador de xadrez, incentivado pelo mestre, manteve uma seção no jornal "O Estado de São Paulo"). Criou grupos damísticos e foi a centelha da criação de muitos outros. Editou 2 livros: "Jóias do Jogo de Damas" e "Curso das Damas Brasileiras". Bakumenko faleceu em 13 de maio de 1969.

Por sua vez, G. Izidoro, realizando torneios, criando grupos damísticos e incentivando com simultâneas e prêmios a criação de outros, escrevendo diversas colunas em jornais e revistas, fez crescer o interesse pelo esporte no Rio e em todo o país.

Waldemar Bakumenko lançou na época as “AS REGRAS DE OURO”, que muito ajudaram a criar o perfil ético do damista brasileiro.

1 – Nunca toque a peça antes que resolve movê-la.

2 – Evite durante o jogo conversas inúteis.

3 – Não toque com os dedos as casas do tabuleiro acompanhando o cálculo.

4 – Não mostres impaciência quando teu adversário joga devagar.

5 – Não percas a oportunidade de assistir jogos entre bons damistas.

6 – Não apresentes desculpas da tua derrota. Dá valor à vitória do adversário.

7 – Por ética cumprimenta sempre teu vencedor ou vencido.


A década de 60 foi uma época de grande desenvolvimento para o jogo de damas. Em Belo Horizonte, em 1967, foi organizado o maior campeonato de jogo de damas até hoje do Brasil, reunindo 1009 participantes!

O grande obstáculo surgiu para o jogo de damas brasileiro em 1967, quando João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos, que na época englobava todos os esportes amadores, qualificou o jogo de damas como mera recreação, desfiliando-o da CBD.

Foi um atraso irreparável para a modalidade, pois somente em 19/11/1988 (21 anos depois!!), é que o jogo de damas voltou à condição de esporte no Brasil. Foram 21 anos à margem do processo esportivo nacional.

Em 1967, em Minas Gerais circulava a bela “Revista Brasileira de Damas” e ali encontramos uma matéria mostrando que João Havelange, quando presidente da Confederação Brasileira de Desportes, retirou todo o apoio ao jogo de damas, considerando que esporte era toda atividade predominantemente física.

Essa retirada de apoio ao jogo de damas por parte dos órgãos governamentais, fez com que os damistas brasileiros se unissem e fundassem em Niterói, (R.J.), a Confederação Brasileira de Damas, em 23 de abril de 1967.

A partir deste acontecimento passou-se a organizar anualmente o Campeonato Brasileiro de Jogo de Damas.

O primeiro campeão brasileiro foi o capixaba José Carlos Rabelo.

A partir de 1967, o nível técnico dos damistas brasileiros começou a se desenvolver de forma acelerada.

Surgiu Reginaldo da Cruz, campeão brasileiro de 1968 e Lourival Mendes França, campeão brasileiro de 1969 e 1970.

E em 1971, o vencedor do campeonato brasileiro foi um jovem paulista de 15 anos de idade, que até hoje é o mais jovem campeão brasileiro: Lélio Marcos Luzes Sarcedo.

E em 1973, Lourival Mendes França e Lélio Marcos Luzes Sarcedo viajaram para Nova Iorque, onde participaram do VII American Pool Checker´s Championship, sendo essa a primeira participação internacional do damismo brasileiro.

Em 1975, aos 19 anos de idade, Lélio Marcos Luzes Sarcedo, então presidente da Federação Paulista de Jogo de Damas, foi para a Holanda para filiar o Brasil à Federação Mundial de Jogo de Damas, que foi fundada em Paris, em 1947.

Na década de 70, o jogo de damas no Brasil estava se desenvolvendo em torno das Federações Estaduais, que somavam 12 em todo o país.

E mais um grande obstáculo surgiu para o desenvolvimento da modalidade em todo o território nacional; em 1975, foi promulgada a Lei 6251, que colocou no seu parágrafo segundo que “considerava-se esporte toda atividade predominantemente física”.

O xadrez não chegou a ser prejudicado pois o decreto 60228 que regulamentou a Lei 6251 colocou um parágrafo único no seu artigo segundo: “para efeitos desta lei, eleva-se o xadrez à categoria de esporte”.

Essa conquista do xadrez ocorreu por influência do então super ministro Mário Henrique Simonsen.


Waldemar Bakumenko e Geraldino Izidoro, São Paulo, 1955.





Simultânea de Geraldino Izidoro em 25 de julho de 1958, no clube A.A.V.I., no Rio de Janeiro.


 



Foto da capa do livro de Geraldino Izidoro e J. Cardoso, publicado em 1940. Este livro ficou popularmente conhecido como “Coruja”.



 

Pelé e Djalma Santos jogando damas na concentração da Seleção Brasileira de Futebol.


Pelé jogando damas em uma barbearia em Santos, S.P.


Década de 30 e 40

As atividades damísticas desenvolvidas de forma organizada,  desde a vinda da corte real portuguesa ao Brasil até o final da década de 40, ficaram  praticamente restritas ao Rio de Janeiro.

Centenas de praticantes espalhavam-se pela então capital brasileira e anualmente aconteciam o Campeonato Carioca Individual e o Campeonato Carioca por Equipes, onde participavam ativamente os seguintes clubes: Associação dos Empregados no Comércio, Sindicato dos Empretados no Comércio, Clube Aduaneiro, Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, Tijuca Tênis Clube, Associação Cristã de Moços, Esporte Clube Joalheiro, Polícia Militar do Distrito Federal, Olímpico Clube, Clube Sul América, Clube Nacional e Clube de Xadrez Teresópolis.


Década de 50

Neste período tem início uma fase de propagação dos conhecimentos teóricos do jogo de damas.

Geraldino Izidoro é o pioneiro nesse trabalho e iniciou no  rio de Janeiro, publicações de estudos do jogo de damas nas registas Guri e Cigarra.

Geraldino Izidoro sempre foi preocupado em ensinar as técnicas do jogo de damas, sempre se preocupando em propagar o conhecimento da estratégia e da tática da modalidade.


Década de 60

A década de 60 foi marcada por um grande crescimento damístico em todo o país, culminando com a fundação da Confederação Brasileira de Damas em Niterói, em 23 de abril de 1967.

Em Belo Horizonte circulou por um ano  a «Revista Brasileira de Damas - O Damista».

Geraldino Izidoro, Waldemar Bakumenko, Antonio Fabelo Chaves, Carlos Alberto Ferrinho e outros,  publicaram  colunas semanais em dezenas dos mais importantes jornais espalhados pelo país naquele período, como A Gazeta Esportiva, O Estado de São Paulo, Última Hora, etc...

Foi uma época de grande crescimento técnico, pois Waldemar Bakumenko introduziu a literatura da ex-União Soviética entre os damistas brasileiros, unindo a criatividade brasileira com o conhecimento técnico do leste europeu.

Ao mesmo tempo em que a modalidade crescia, com nossos jogadores começando a atingir um nível ideal para participar de campeonatos mundiais e torneios internacionais, a Confederação Brasileira de Desportos iniciou um conflito com a modalidade, taxando-a de uma «simples recreação».

Com a maior autoridade esportiva do país ficando contra o desenvolvimento do jogo de damas brasileiro, a fundação da Confederação Brasileira de Jogo de Damas passou a ser uma necessidade.

E a partir de 1967, somente passou a saber o que, realmente é o jogo de damas, aquelas pessoas que se envolviam com as competições organizadas pela Confederação Brasileira e pelas suas filiadas estaduais.


Década de 70

Através do apoio de órgãos municipais, continuaram acontecendo em todo o país os campeonatos estaduais e o campeonato nacional.

Esta é uma época em que o jogo de damas continua se desenvolvendo cada vez mais em função do trabalho da Confederação Brasileira e de suas filiadas estaduais.

Em 1975, novo golpe atingiu o jogo de damas brasileiro, com a aprovação da Lei 6251, que colocava que «esporte era toda atividade predominantemente física».

A partir desse momento se acentuou ainda mais o trabalho da Confederação Brasileira e de suas filiadas estaduais.

Em 1972, Lélio Marcos Luzes Sarcedo e Lourival Mendes França fizeram a primeira viagem internacional damística com a finalidade de participar do 7º Torneio Internacional de Nova Iorque (64 casas).

Lourival voltou dos Estados Unidos com o segundo lugar e o prêmio da mais bela partida. Lélio Sarcedo ficou em 7º lugar.

Em 1975, Lélio Marcos Luzes Sarcedo faz a segunda viagem damística internacional e vai até à Holanda participar de uma série de torneios (100 casas) e filiar o Brasil à Federação Mundial de Jogo de Damas.

Naquela oportunidade, o Brasil passou a ser o 19º país filiado à Federação Mundial.



Década de 80

Neste período o jogo de damas continuou trilhando seu desenvolvimento estritamente ligado ao trabalho da Confederação Brasileira e suas filiadas.

Em 1981, nas cidades de São Paulo e Piracicaba, aconteceram as primeiras disputas internacionais em terras brasileiras, que consistiu de uma série de matchs entre as seleções de damistas de 100 casas de ambos os países.

Em 1982, o Brasil organizou o 52º Campeonato Mundial de Jogo de Damas (100 casas), na cidade de São Paulo, oportunidade em que Jannes van der Wal, da Holanda, foi o campeão.

Em 1988, houve o reconhecimento de que o jogo de damas era um esporte.

Um ato do Conselho Nacional de Desportos, na época presidido por Manoel Tubino, reconheceu o jogo de damas como esporte.

Mas esse ato surge já em um momento em que a conotação do que é esporte já estava tomando nova forma. Surge em um momento em que a sociedade brasileira já estava tomando novos caminhos e a definição do que é esporte que estava em vigor no Brasil já não fazia mais sentido - precisava ser revista e alterada.

Em 1989, Douglas Diniz participou em Galatina, Itália, do 1º Campeonato Mundial de Damas de 64 casas, ficando com a terceira colocação e conseguindo o primeiro título de Grande Mestre Internacional para o Brasil.


Década de 90

A partir desta década, o Brasil passou a sediar inúmeros torneios internacionais.

Uma grande mudança começa a ocorrer no jogo de damas brasileiro a partir de 1992, momento em que a Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo incluiu a modalidade nas disputas dos Jogos Abertos do Interior «Horácio Baby Barioni».cicaba

Naquele primeiro ano, 56 municípios se organizaram e participaram dos Jogos Regionais e os 14 melhores colocados dos Jogos Regionais foram classificados para os Jogos Abertos de Presidente Prudente.

Foi o início de um novo tempo para o jogo de damas.

Os inúmeros atletas vinculados à Federação Paulista e também espalhados pelo país nas demais Federações, passaram a organizar equipes e transformaram os Jogos Abertos na maior competição de equipes de jogo de damas do mundo !!

Em 2008 foram 160 municípios participando dos Jogos Regionais e 64 municípios estiveram presentes nos Jogos Abertos de Piracicaba.


Século XXI

Uma nova grande mudança surgiu no jogo de damas a partir de 2006: o programa Bolsa Atleta.

Como o jogo de damas não recebe apoio governamental de nenhuma espécie, o programa Bolsa Atleta despertou um interesse de todos os damistas espalhados pelo país.

O número de participantes nos eventos tem crescido significativamente em função da procura de elevar o ranking ou conseguir um resultado expressivo que dê direito a pleitear uma Bolsa Atleta.

Para tornar o Bolsa Atleta viável e utilizá-lo como um grande incentivador ao desenvolvimento da modalidade, a Confederação Brasileira criou regras para que um damista tenha direito à solicitação através do Ranking Nacional.

Foi estipulado que o damista ou a damista somente terão direito a solicitar Bolsa Atleta Nacional através do ranking se obtiver no último dia do ano o ranking mínimo equivalente a 2.000 pontos.


Livros de Jogo de Damas publicados

no Brasil  a partir de 1940






















































Campeões Brasileiros em 64 Casas






Campeões Brasileiros em 100 Casas



Campeãs Brasileiras Femininas em 64 Casas



2005 - Barra Bonita - S.P. - Priscila Leal Silva

2006 - São Paulo - S.P. - Priscila Leal Silva e Francisca Costa

2007 - Águas de Lindóia - S.P. - Ana Paula Araújo Brito

2008 - São Caetano do Sul - S.P. - Ana Paula Araújo Brito

2009 - Jaú - S.P.- Ana Paula Araújo Brito

2010 - Ribeirão Preto - S.P.- Ana Paula Araújo Brito









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